eu sou um país desconhecido, quente e úmido, talvez eu seja uma ilha afastada no arquipélago, um minúsculo amontoado de terra sem pátria, um pequeno segredo de estado. um lugar para fincar sua bandeira, rezar ao seu deus marítimo, oferecer sua vontade livremente ao mar, quem sabe um porto para tuas idas, quem sabe uma casa um ponto no mapa para voltar. voce,navegante experiente opera unicamente sob a lei das estrelas e dos tratados, faz dessa ilha lar, enquanto la fora cai o trovão a ponte e a tempestade.
ama a imagem, a sensação, a rima descontinuada, o atravessamento, mas desconhece o escuro da noite, e o degelo artico dos meus olhos desmaiados, a fome crescente e a ansia pelas águas terriveis do fim do mundo, desconhece as cicatrizes e as falhas sob nosso teto, a fragilidade intrínseca da nossa história, o vazio incomodo que ocupa nossa mesa agora, ama o desejo o amanhã e a estrada, a vertigem inocente dos primeiros dias, ama e desconhece a sombra no meu peito, o punhal na noite azul, os ganidos de prazer e dor e as muitas mortes do amor.
três giros da roda vezes três e o silêncio de prata que coroa meus cabelos, as máculas na fonte primitiva da primavera radiante, rajando a mocidade de cinismo, perdas e cotidiano a permanente entrega de nós mesmos e o esvaziar dos olhos salgados temperados pela partida e pela entrega até que reste sob a terra apenas minha memória e minha dor e até isso não será suficiente
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